Em 14 de março de 1939 nascia Glauber Rocha, cineasta brasileiro de renome internacional.

No dia 14 de março de 1939 nascia Glauber Rocha, figura-chave do Cinema Novo e considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos. Figura polêmica que desagradava tanto a esquerda quanto a direita brasileira, gravou filmes que são referência até hoje.

Nascido em Salvador, estudou em diversas escolas cristãs, onde surgiu seu interesse por artes ao escrever e atuar em uma peça. A partir disso, participou de programas de rádio, grupos de teatro e de cinema amador. Também voltou seu olhar para a política, ingressando no movimento estudantil.

Em 1959, ingressou em uma faculdade de direito e, ao mesmo tempo, iniciou as filmagens de “Pátio”, filme nunca terminado. Já ligado ao cinema, realizou atividades como cineclube e teve uma breve carreira como jornalista.

Após fundar uma produtora e realizar diversos curtas metragens, Glauber Rocha lançou o filme “Barravento”, em 1962. O longa conta a história de um negro que volta a uma aldeia de pescadores onde havia sido criado e descobre que seus habitantes são dominados por religiosos ligados ao Candomblé. O protagonista tenta então livrar as pessoas desta opressão.

Seu segundo filme, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, é considerado um marco do Cinema Novo. Com elementos da Nouvelle Vague Francesa e do Neo-Realismo Italiano, o movimento era radicalmente contra o cinema comercial, produzindo filmes com custos reduzidos, porém considerados mais realistas e com mais conteúdo.

Junto com “Terra em Transe” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”“Deus e o Diabo na Terra do Sol” forma o conjunto dos principais filmes de Glauber Rocha, trazendo os elementos que caracterizaram sua obra. Rompendo com a estética e narrativa dos filmes de Hollywood, são filmes marcados pelo teor político, ambientação realista e referências à cultura e folclore brasileiros.

Cineasta reconhecido mundialmente, recebeu diversos prêmios em festivais importantes, como no Festival Internacional de Cinema Karlovy Vary (Tchecoslováquia), Festival de Cinema Livre da ItáliaPrêmio Luiz Buñuel (Espanha), Prêmio de Crítica no Festival de CannesGolfinho (Brasil), entre outros.

Com uma visão pessimista sobre uma sociedade que considerava decadente, não poupou nenhuma ideologia da época em seus filmes e foi patrulhado por militantes de direita e esquerda. Considerado subversivo pela Ditadura Militar, o cineasta deixou o país em 1971 e nunca retornou de fato, alternando entre estadias aqui e na Europa, principalmente em Portugal.

Glauber Rocha veio a falecer no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1981, vítima de um choque bacteriano provocado por uma broncopneumonia que o afligia há mais de um mês.