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Foto: Fabiane Secomandi

Após problemas de financiamento desde 2012, prefeitura promete abertura de editais para produções já no início de 2014

Desde maio de 2012, quando terminaram os trabalhos de “Serra Pelada”, os estúdios de Paulínia não recebem filmagens. Anteontem à tarde, os funcionários do polo cinematográfico da cidade montavam um rinque de patinação no gelo e um presépio para os festejos de Natal. O clima contrastava com a sessão de abertura, horas depois, da edição de retomada do Festival de Paulínia — que já teve a ambição de se tornar uma Hollywood brasileira, mas no ano passado cancelou a quinta edição do evento, realizada agora em formato enxuto.

A promessa da prefeitura é que tudo será diferente no próximo ano para estúdios que em outros tempos abrigaram produções como “O palhaço” e “Bruna Surfistinha”. A secretária de Cultura, Monica Trigo, diz que foi regularizado o pagamento de produções já filmadas, que estavam atrasadas, e garante que os novos editais para a seleção de projetos serão lançados em janeiro.

Pretende-se que o relançamento do festival, numa versão feita às pressas, seja o primeiro passo. O evento, que no passado contou com pré-estreias de produções do porte de “Tropa de Elite 2”, em 2010, desta vez exibirá apenas seis longas-metragens, alguns que já passaram em outros festivais, como “Entre vales”, de Philippe Barcinski, ou até em circuito comercial, caso de “Tatuagem”, de Hilton Lacerda. Não haverá disputa competitiva.

Apesar do clima de nostalgia por causa do passado mais glorioso, o Teatro Municipal de Paulínia ficou lotado na sessão da noite de quarta-feira para a exibição do inédito “Confia em mim”, de Michel Tikhomiroff. A ausência da estrela do longa, Mateus Solano, frustrou um pouco o público. O evento foi antes de mais nada um ato político em favor da retomada da produção cinematográfica na cidade. O diretor Toni Venturi subiu ao palco para entregar um manifesto, assinado por cineastas, de apoio à volta das filmagens na cidade, e um vídeo com atores em favor da causa foi exibido.

O atual prefeito, Edson Moura Jr. (PMDB), disse que seu antecessor — José Pavan Júnior (PSB) — foi “imbecil” ao paralisar o festival em julho do ano passado, deixando claro como a política local é pano de fundo para as idas e vindas do cinema em Paulínia. Todo o projeto de transformar a cidade em polo cinematográfico havia surgido em 2007, na gestão de Edson Moura, pai do atual prefeito. Na eleição de 2012, o pai desistiu da disputa na véspera do pleito, por risco de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. O filho assumiu o posto de candidato e foi o mais votado. Mas, justamente por causa da mudança de última hora, sua candidatura foi impugnada. A decisão só foi revertida pelo Tribunal Superior Eleitoral em julho deste ano, quando Moura Jr. pôde, então, assumir o cargo.