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Foto: Levon Biss/ Reprodução

Quentin Tarantino chega nesta quarta-feira (27) aos 50 anos. Para comemorar, a gente lista 5 preciosas lições do mestre da vingança

1 – Não tenha medo de tirar do limbo os atores que você curte. Se a indústria já não liga para eles, acredite você no potencial de figuras sagradas
A atriz Pam Grier foi resgatada dos legítimos blaxploitation movies dos anos 70 para “Jackie Brown”, em 1997. Antes dela, John Travolta, que viu a carreira naufragar nos anos 80, depois do sucesso em “Embalos de Sábado à Noite” e ”Grease”, foi salvo em 94 por Tarantino e estrelou “Pulp Fiction”. Isso sem falar em David Carradine e Daryl Hannah, ressucitados na saga “Kill Bill”, e no italiano Franco Nero, estrela do western spaghetti dos anos 60 que fez uma ponta sensacional em “Django Livre”. Além de criar uma ligação afetiva com os fãs dos esquecidos artistas, você ainda pode provar que eles têm, sim, talento!

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“Embalos de Sábado à Noite”? Que nada. John Travolta dança melhor em “Pulp Fiction”/ Foto: Divulgação

2 – Salpique seus filmes com inflamadas discussões sobre cultura pop
A cena em que os personagens de “Cães de Aluguel” discutem sobre a essência de “Like a Virgin”, sucesso madonístico, é uma das melhores do filme (veja ao final do texto). O próprio Tarantino introduz o tema: “Let me tell you what ‘Like a Virgin’ is about. It’s about a girl who digs a guy with a big dick”. A polêmica de bar leva minutos e o único objetivo do personagem é provar que, em vez de uma canção sobre uma garota vulnerável que encontra um cara sensível (caso de outra música, “True Blue”), “Like a Virgin” é sobre uma moça que gosta muito de sexo, mas fica extremamente dolorida após encontrar o bem-dotado Charles Bronson erótico. A lógica é uma só: se gostamos de inventar teorias das mais improváveis no bar, vamos gostar delas no cinema. Invista!

3 – Haja o que houver, seja cuidadoso na escolha da trilha sonora
As músicas que embalam as aventuras tarantinescas dariam dias e noites inteiros de festa. Geralmente remetem ao tema central do filme – “Django Livre”, por exemplo, é cheio de canções com pegada country e R&B, de James Brown e Tupac a John Legend –, mas jamais se tornam caricaturas. Acabam virando releituras das músicas de uma época específica ou remetem ao contexto que inspirou o diretor, com classe e qualidade. Não é à toa que o celebrado Ennio Morricone sempre contribui com as trilhas, embora tenha detestado o resultado em “Django Livre”. Decepção à parte, quem há de esquecer “Putting Out the Fire With Gasoline”, do David Bowie, em “Bastardos Inglórios” ou “Girl, You’ll Be a Woman Soon”, do Urge Overkill, em “Pulp Fiction”? Clássicos!

4 – Quando sua carreira como diretor estiver consolidada, brinque de atuar
Atenção: só vale aparecer nos próprios filmes quando você tiver uma obra inegavelmente cult, ok? Do contrário, você pode ser tomado como um mero fanfarrão. Posto isso, quando a hora chegar, deixe a vaidade de lado e faça pequenas aparições. O intuito é manter a aura de mito em torno da sua pessoa, a exemplo de Alfred Hitchcock e do próprio Tarantino, que sempre dá um jeitinho de ficar frente às câmeras, nem que seja para ser mandado pelos ares depois. Literalmente. A graça é que o público nunca sabe quando, onde ou como você vai aparecer. Muito fino.

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Um Tarantino novinho defende sua tese sobre “Like Virgin” em “Cães de Aluguel”/ Foto: Divulgação

5 – Estabeleça um tema e seja fiel a ele
O nome de Tarantino sempre foi ligado à ultraviolência e foi especificamente nas armadilhas da vingança que ele fez sua morada nos últimos anos. Embora exista a possibilidade de o público se cansar da repetição, é interessante ver como, a cada filme, o cineasta dá voz aos que enxerga como injustiçados. De certa forma, a desforra serve de reparação histórica. A gente gosta dessas coisas. Afinal, o cinema está aí para recriar o mundo.

Aproveite a data festiva para entrar na mente do diretor e descobrir quais obras o influenciaram ao longo da carreira. Leia o texto e veja a galeria.

Assista à empolgante cena sobre o significado por trás de “Like a Virgin”