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O Som ao Redor será o representante do Brasil para concorrer a uma vaga entre os cinco finalistas ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014.
O longa dirigido por Kleber Mendonça Filho bateu outros favoritos como Faroeste Caboclo, Gonzaga –  De Pai para Filho e Meu Pé de Laranja Lima. O filme retrata o cotidiano de uma rua de um bairro de classe média alta no Recife, que tem sua dinâmica transformada com a chegada de uma milícia. Ao mesmo tempo em que alguns moradores comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de  tensão.  Com olhar apurado, Mendonça faz um retrato original e fiel das transformações sociais e econômicas por que passou a sociedade brasileira nos últimos anos, quando saltou de uma tradição patriarcal e arcaica para uma vida moderna e tecnológica que, ao mesmo tempo, mantém arraigada a violência e a segregação social de outrora.
“É muito bom. Vamos mais uma vez ver para onde este filme está indo. Minha postura sempre foi não me adiantar, mas seguir o percurso natural dele. E mais uma vez ele nos conduz para um novo caminho”, declarou o diretor ao Estado sobre a indicação.  Quando questionado sobre seus planos para a campanha de O Som ao Redor a partir de agora, Mendonça declarou que ainda não havia pensado em estratégias. “Não estava contando com isso até hoje. É sempre bom ter este reconhecimento e este desafio tão bom pela frente, mas só agora, com a notícia, é que vou de fato pensar em um plano de trabalho”, comentou ele. “É bom este reconhecimento. É mais um selo para o filme, que ganha atenção e mais curiosidade. É bom para o filme.”
Sobre o protocolo a ser seguido, o diretor e sua produtora, Emilie Lesclaux, devem ser informados nos próximos dias. “Ainda não tive nenhum contato com o Ministério da Cultura, mas com certeza isso vai acontecer logo. Vamos tentar entender aos poucos e seguir o que temos de fazer para divulgar o filme. De uma forma tranquila, fazendo o que é preciso de uma forma bacana e prazerosa. Espero que este processo seja algo assim também”, comentou o diretor.
A escolha de O Som ao Redor, um filme nada óbvio para o Oscar, revela a aposta em um estilo novo e próprio. Filme autoral e com uma linguagem muito própria, O Som ao Redor começou sua carreira discretamente e foi ganhando público e crítica nas dezenas de festivais por que passou. Ao todo, já acumula 25 prêmios nacionais e internacionais, fez 100 mil espectadores só no Brasil (número expressivo para seu nicho de mercado) e estreou em dez países (Holanda, Inglaterra, Canadá etc). Este mês chega às salas da França com o nome de Os Sons do Recife. “O bom é que o filme já estreou em Los Angeles, naturalmente. E agora esta etapa de ter de estrear nos EUA para poder concorrer ao Oscar a gente já não precisa mais cumprir”, informou Mendonça.
A comissão julgadora foi formada por  Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e Vânia Catani, da produtora Bananeira Filmes (que em 2012 emplacou O Palhaço na disputa);  Leopoldo Nunes, secretário do Audiovisual; Sylvia Bahiense Naves, também da SAV; e George Torquato Firmeza, ministro do Departamento Cultural do Itamaraty.
Para concorrer à vaga de representante brasileiro, o filme precisa ser falado majoritariamente em português, ter sido  exibido em circuito no Brasil e permanecido uma semana em cartaz no mínimo, entre 1º de outubro de 2012 e 3º de setembro de 2013.
Em 2012, o escolhido para representar o Brasil foi O Palhaço, de Selton Mello, produzido por Vania Catani. Desde 1999, quando Central do Brasil concorreu a melhor filme estrangeiro, e a melhor atriz (Fernanda Montenegro), o País não figura na lista dos cinco finalistas da categoria.
Cidade de Deus, de Fernando Meirelles foi o último longa nacional a concorrer a um Oscar.  O longa disputou nas categorias de melhor diretor, melhor montagem, melhor roteiro adaptado e melhor fotografia.
Fonte: http://bit.ly/18gdFre