Há 51 anos, morria Marilyn Monroe, com apenas 36 anos. A atriz, com seu olhar vulnerável e sensualidade inata, se tornou um dos maiores ícones do século 20. Aproveite para relembrar a carreira de Marilyn e assistir aos seus filmes. Indicamos “Quanto Mais Quente Melhor”, “O Inventor da Mocidade”, “O Pecado Mora ao Lado” e “Como Agarrar um Milionário”.
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A foto tirada em 1938, quando Marilyn ainda era apenas Norma Jeane Mortenson e tinha 12 anos de idade, a foto exibe uma menina que, com olhar direcionado para algum ponto à sua esquerda e ao alto, ainda não aprendera a encarar a câmera com a segurança de mulher absoluta que exibiria nas (poucas) décadas seguintes. Esforçando-se para parecer mais velha e bonita, com seu cabelo rebelde empurrado para trás e um lenço amarrado em volta do pescoço, a menina surge quase desafiadora, como se sentisse estar sendo julgada pelo fotógrafo e não se importasse com isso – algo natural em uma quase criança que aprendera a trabalhar e a se defender cedo depois de escapar de ser morta pela mãe insana aos 2 anos e de um estupro aos 6.
Ao mesmo tempo, a aparência desgastada e puída da fotografia comove por si mesma: é como se víssemos, no desbotamento sépia do registro, a própria representação da juventude perdida e sofrida da modelo – e a Marilyn que ela construiria no futuro se esforçaria até o fim para apagar as marcas da infância feia e trágica. Sem sucesso, como sabemos.
Vejo o retrato e encontro quase a alma capturada de Norma Jeane. Eternamente presa numa pequena caixa marrom, suja e velha enquanto o avatar que ela concebera para escapar desfilava e deslumbrava mundo afora com seus cabelos louros e lisos, o rosto perfeito, a pinta sedutora na bochecha esquerda, os seios fartos e o corpo cheio de curvas, carne e erotismo.
Mas o olhar vulnerável e a voz delicada sempre trairiam a fragilidade interna, a dúvida sobre o próprio valor e o medo de ser devolvida à velha caixa. E isso, tristemente, era o que acabava por transformar Marilyn em Marilyn: ainda que maravilhosa, era uma mulher que permanecia acessível aos reles mortais justamente por sentir-se indigna de figurar entre as lendas. Esta era a base da persona de Monroe: a diva que poderia se partir com um toque mais forte.
Ao pensar em “Marilyn Monroe” (ou como Roger Ebert escreveu: “Quando criança, pronunciávamos como se fosse uma única palavra (…): marilynmonroe“), divido-me entre duas imagens paradoxalmente conflitantes e complementares: a do objeto de desejo cujo vestido se levanta sugestivamente sobre a grade de ventilação do metrô, mas também aquela que, em uma de suas últimas sessões de fotos, não se preocupava mais em esconder a imensa e humana cicatriz no abdômen.
E por trás de todas estas, a menina presa na foto envelhecida.
Fonte: http://bit.ly/1c4Dkas e Blog Cinema em Detalhes