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Um movimento cinematográfico dos mais ricos já ocorridos no mundo, capaz de abarcar numa mesma corrente diretores tão distintos quando François Truffaut e Alain Resnais. Grandes filmes do movimento, como “Tempo de Guerra”, de Jean Luc Godard, “Muriel”, de Alain Resnais, e “A Carreira de Suzane”, de Eric Rhomer, completam meio século neste ano, celebrando um momento na história do cinema que deixou um legado fundamental para o mundo.
Os efeitos da Nouvelle Vague podem ser sentidos até hoje no cinema-arte do mundo. Iniciado em 1959 com filmes como “Os Incompreendidos”, de François Truffaut, “Hiroshima, Meu Amor”, de Alain Resnais e “Os Primos”, de Claude Chabrol, o movimento atingiu seu ápice há cinquenta anos e perdurou por todos os anos 1960. Sob a tutela do teórico e pesquisador André Bazin, jovens pensadores se tornaram críticos de cinema e migraram suas ideias de um novo cinema para a França na recém-criada revista Cahiers du Cinéma, até hoje a revista de cinema mais importante do mundo. É lá que explicitaram o que chamam hoje de Política dos Autores, uma série de pensamentos que orientariam o cinema francês para um viés mais voltado para a arte, e não apenas entretenimento desapegado da cultura do país. “Pouco mais de uma década antes da Nouvelle Vague, o Neorrealismo Italiano havia sacudido o cinema do mundo inteiro propondo uma nova era para o pensamento audiovisual, propondo filmes cujos sentidos se completariam com a interpretação dos espectadores. Mas foi a Nouvelle Vague que realmente deixou um grande legado, pois seus filmes não falavam apenas de questões sociais, políticas. Cada diretor abarcava temas extremamente pessoais, de uma história simples de um menino desajustado na sociedade até uma homenagem experimental sobre as bombas de Hiroshima e Nagazaki”, comenta o coordenador da Academia Internacional de Cinema, Franthiesco Ballerini, professor do novo curso de História do Cinema Mundial, que será oferecido pelas manhãs na Academia Internacional de Cinema – AIC no próximo semestre, focando um panorama profundo da história do cinema, sem esquecer da análise da estética, técnicas e linguagem dos grandes diretores que concretizaram os principais pensamentos cinematográficos em todos os continentes.
No novo curso de história do cinema, Ballerini e outros professores e palestrantes explicarão, entre outras coisas, como diretores contemporâneos como Walter Salles, Tim Burton, Terrence Malick e Michael Haneke, todos ganhadores de grandes prêmios no mundo inteiro e autores de obras inesquecíveis, devem seu sucesso às experimentações de linguagem de diretores da Nouvelle Vague. “Não se formam grandes diretores de cinema hoje sem que eles tenham referências bem fundamentadas do passado, e isso inclui a Nouvelle Vague. Curiosamente, eram os diretores do movimento francês que pregavam o fim da escada artesanal de formar diretores, ou seja, de que um grande diretor necessariamente deveria começar por níveis hierárquicos mais baixos na cadeia cinematográfica antes. Ao contrário, Truffaut, por exemplo, dizia que a técnica se aprendia em algumas horas, mas as referências artísticas e cinematográficas podem levar anos, por isso mesmo ele começou como grande estudioso de cinema, devorando livros e consumindo grandes filmes, passou a ser crítico e então cineasta. Curiosamente, todos os grandes diretores hoje têm um repertório de referências incrível. Ou seja, a Nouvelle Vague mostrou ao mundo que cinema autoral, antes de saber sobre foco, operação de câmera, luz, precisa saber o que exatamente se quer contar e como contar. O resto é consequência”, completa Ballerini.
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Para saber mais sobre o novo curso, clique aqui.(http://aicinema.com.br/curso/historia-do-cinema-mundial-2/)
Fonte: Site Aicinema, saiba mais em (http://aicinema.com.br)