O diretor René Sampaio e os atores Fabrício Boliveira, Ísis Valverde, Felipe Abib e cia se reuniram no Rio de Janeiro para falar do filme.

Faroeste Caboclo está chegando aos cinemas brasileiros e o AdoroCinema participou de uma coletiva de imprensa com o diretor René Sampaio e com boa parte do elenco. Abaixo, você confere o que aconteceu de melhor no bate papo realizado no Rio de Janeiro, antes da pré-estreia de gala do longa.
faroeste
INÍCIO DO PROJETO
“Eu quis fazer o filme ao ouvir a música quanto eu tinha 14 anos. Era um moleque. Eu ouvi no rádio, já queria ser diretor e pensei que seria muito feliz, quando fosse adulto, se conseguisse realizar este sonho”, disse Sampaio ao ser questionado pelo AdoroCinema. O diretor ainda completou: “Depois de fazer um curta, conheci a Bianca de Felippes (produtora), que me perguntou seu eu gostaria de fazer um longa. E eu respondi: ‘só tem um longa que eu gostaria de fazer, que é o Faroeste Caboclo, mas é impossível, pois já venderam os direitos.’ Ela me disse: ‘Olha Renê, me dá uma semana.’ Não sei direito o que ela fez, mas um mês depois estávamos assinando o contrato com a família do Renato em Brasília.”
INFLUÊNCIAS
O diretor negou ter se inspirado em Django Livre, de Quentin Tarantino, lembrando que rodou seu longa antes da produção hollywoodiana. “Eles copiaram a gente”, brincou Antonio Calloni. “Se há alguma semelhança é porque a gente bebe na mesma fonte, que são os westerns spaguetti, os filmes do John Ford. Este é o universo que a gente revisitou com relação ao que tem de faroeste no filme”, afirmou Sampaio.
Ele ainda destacou: “O primeiro filme de um diretor tem tudo o que ele aprendeu na vida. Ele junta os filmes do John Ford, do Tarantino, acho que tem um pouco de Scarface. Acho que o cinema brasileiro, e o latino-americano, é um cinema que mistura as influências de um cinema europeu, busca referências de filmes americanos e dá uma leitura latino-americana para esta narrativa.”
JOÃO DE SANTO CRISTO
Protagonista da canção que dá origem ao filme, João é interpretado por Fabrício Boliveira. “Eu já conhecia a música. Ouvia muito ela aos meus 15 anos, que é o momento em que nós brasileiros entramos em contato com a história do Renato Russo, quando começa a fazer sentido a história de amor, as letras políticas e a poesia dele. Foi maravilhosa a possibilidade de contar esta história do brasileiro, que é esse cara que sai do interior e vai para a cidade grande”, disse o ator.
MARIA LÚCIA
A menina linda da canção é vivida por Ísis Valverde, que afirmou: “Eu já a idealizava, como todo mundo que já ouviu a música. A Maria Lúcia e eu, eu e a Maria Lúcia, criamos uma relação muito íntima uma com a outra. Acho que estava numa fase da minha vida em que precisava de um boom na minha carreira, na minha interpretação. E a Maria Lúcia veio para me ajudar a alcançar isso. Eu a abracei com minha alma, com meu corpo, e acho que ela a mim.”
ELENCO
Sobre a seleção do elenco, o cineasta falou: “Fizemos muitos testes e oficinas. O Felipe foi o primeiro a ser escolhido. Ele saiu no primeiro teste. E ele nem queria fazer o teste pela imagem que ele tinha do Jeremias e acabou criando uma outra coisa, que acabamos usando no filme. Era uma vontade dos produtores e minha de que a Maria Lúcia não fosse uma atriz tão conhecida, mas acabei querendo testar a Isis. E ela testou como se fosse o primeiro papel da vida dela. E ganhou na energia, na vontade de fazer. E por fim veio o Fabrício, que não queria fazer. Ele fez um teste, mas depois viajou de férias para Cuba. Mas ficamos na indecisão, fizemos mais algumas oficinas e deu tempo dele voltar.”
DIFICULDADES
“As dificuldades de adaptar a música foram as mesmas de qualquer obra que é de um suporte para outro. A gente teve que lidar com a experiência de nove minutos que é a música e tentar transformá-la numa experiência de 100 minutos do filme. São coisas bem diferentes”, disse Renê.
Os atores aproveitaram a deixa para relembrarem os momentos mais difíceis das filmagens. “Acho que a cena mais difícil é a da curra, que é bem forte. Foi uma cena muito dura, que exigiu muito da gente. No cinema a gente repete uma cena várias vezes, então foi muito cansativo para mim”, destacou Felipe Abib, o Jeremias.
Sobre a mesma cena, Fabrício falou: “Eu nem queria falar da cena do estupro. Fazer cena de ação do cinema é quase um balé. A gente tem que estar muito ensaiado, mas a gente não teve muito tempo pra isso. Então, foi uma cena em que me machuquei um pouco. Mas acho que o público vai gostar. O Renê teve muito cuidado, pois é uma cena delicada.”
O ator acabou interrompido por Calloni, que brincou: “O pessoal quer saber é se foi bom ou não!” No que Fabrício respondeu: “Não foi nada bom, nada bom.”
FÃS
O diretor se preocupou em não realizar um grande clipe. Sobre isso, destacou: “Eu acho que os fãs também não esperam um clipe da música. Ninguém espera ver um clipe de duas horas. Acho que quando fazemos uma interpretação sobre outra obra, temos que fazer o que for melhor para que esta outra obra seja completa, tenha unidade e seja representativa. Então, acho que na hora de fazer as escolhas, tem que fazer as que respeitam o drama. A música respeita a métrica, tem que rimar e ter ritmo, e o filme tem que ter outras coisas para que aconteça na tela em 100 minutos.”
“A letra tem várias coisas que a gente amplificou, como a história do João de Santo Cristo com a Maria Lúcia. Ela fez parte da construção do roteiro desde o início e na música só entra lá pelos seis, sete minutos. Então, quando fizemos o recorte desta história de amor, outros elementos tiveram que ser mudados para caber este drama. Eu acho que a gente é fiel à música, apesar das concessões”, completou.
CANÇÃO
“Decidimos usar a música só nos créditos antes mesmo do filme começar. Acho que a música tem tamanha importância e relevância que não cabia coloca-la pra dentro do filme. Seria tão bacana poder ver um filme adaptado de um livro e no final poder dar uma lida rapidinha nele. É uma extensão da experiência do filme. Acho um barato ouvir a música no final e ficar comparando com o que teve no filme”, afirmou Renê Sampaio.
PREPARAÇÃO
Felipe Abib falou um pouco sobre o trabalho de preparação para o longa. “A gente teve a preparação junto com o Sérgio Penna. Ensaiamos por um mês e meio no Rio e mais umas três semanas em Brasília. Foi uma experiência bem positiva, porque a gente estudou a fundo a questão de Brasília e sobre como estes personagens poderiam se tornar reais”, disse.
FAROESTE
“Tive medo de tudo neste filme, inclusive disso”, respondeu Renê quando perguntado pelo AdoroCinema se teve algum receio de abordar um gênero tão pouco usado no cinema brasileiro, o faroeste. “A gente nunca sabe se vai acertar, então a gente tem que fazer aquilo que acredita. Eu acreditei que poderia usar elementos do western clássico numa narrativa extremamente brasileira”, completou.

Fonte: Site Adoro Cinema, saiba mais em (http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-103130/)