• os-argentinos-marcelo-monaco-e-marco-berger-apresentam-o-filme-violetas-no-festival-1363096408833_615x300Os argentinos Marcelo Mónaco e Marco Berger apresentam o filme “Violetas” no festival

O Festival Libercine, que acontece nesta semana, transforma Buenos Aires em uma vitrine internacional de produções que apostam na diversidade sexual, mas também buscam visualizar todo o caminho que falta percorrer para erradicar a violência por razões de gênero e identidade.

Cerca de 150 filmes serão exibidos na 5ª edição do festival, que tem como convidado especial o diretor americano Mark Freeman, que apresentará o premiado documentário “Transgender Tuesdays”, inédito ainda na América Latina.

Os argentinos Marcelo Mónaco e Marco Berger apresentarão em estreia mundial “Violetas”, enquanto a compatriota Mónica Lairana assina o curta-metragem inaugural, “María”, um cruel olhar sobre as redes de tráfico de mulheres.

“Não foi casual, foi uma decisão política”, disse o diretor do Libercine, Néstor Granda, sobre a seleção de filme de abertura do festival.

“Queríamos nos posicionar pelo caso de Marita Verón”, explicou o diretor hispânico-argentino, em referência ao emblemático julgamento por tráfico humano que em dezembro gerou uma forte comoção na Argentina pela absolvição de todos os condenados.

O aborto, outro dos temas presentes na agenda argentina no último ano, é o eixo central do documentário “Regarde, Elle a les Yeux grand ouverts”, do francês Yann Le Masson, que foi projetado no domingo.

Le Masson reivindicou neste filme de 1977 o direito das mulheres em decidir sobre seu próprio corpo através de um coletivo francês que pratica abortos e partos fora de casa.

A militância pelos direitos humanos e do coletivo LGTB é uma das características do festival há cinco anos, por conta de um caso ocorrido na Universidade Nacional de Córdoba (uns 800 quilômetros ao noroeste de Buenos Aires).

Granda recebeu um chamado da Universidade por um caso de discriminação contra uma aluna transexual e usou o cinema para descrever a tensão gerada pelo episódio.

A pequena mostra de 1998 se transformou em festival intenerante dois anos depois, com edições em distintas cidades do país.

“Nos parece importante sair de Buenos Aires porque nas províncias acontecem coisas piores, há mais discriminação, sobretudo nas nortistas, que são muito conservadoras e a Igreja Católica tem muita influência”, explicou o diretor.

Nos últimos cinco anos, a Argentina aprovou a lei do casamento igualitário entre pessoas do mesmo sexo e a lei de identidade de gênero, que permite aos argentinos mudar o nome para se adequar a sua real identidade.

“Avançamos muito, mas segue existindo homofobia e transfobia”, disse Granda após destacar que o festival mantém “um propósito educativo” para que sejam reconhecidos os direitos de todas as pessoas.

Os cineastas latino-americanos se destacam na programação do festival e participam, entre outros, o mexicano Jaime Fidalgo com “Animal Within”; o chileno Julio Jorquera, com “Meu Último Round”; o brasileiro Marcelo Caetano, diretor de “Na sua companhia”; o venezuelano J.G. Hernández, “La gran victoria”, e José Ignacio Correa, do Equador, autor do curta “Jackie”.

Além disso, o Libercine conta também com mesas redondas e exposições e ao longo de 2013, será reeditado em outras províncias argentinas.

 

por UOL