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A retrospectiva exibe um amplo panorama da carreira do diretor, reunindo desde curtas dos anos 1960, como Esta rua tão augusta (1966), exercício que dirigiu quando ainda era estudante da Escola de Cinema São Luiz, à sua última produção, Falsa loura (2007), segunda parte da série dedicada ao universo da mulher proletária, inaugurada em 2004 com Garotas do ABC. Da década de 1960, a mostra apresenta Alice, episódio do longa As libertinas (1968), e A badaladíssima dos trópicos x Os picaretas do sexo, episódio de Audácia! (1969). Dentro do espírito de ruptura que movimentou as vanguardas dos anos 1960, deboche, experimentalismo, improviso e desbunde marcam as duas produções. As libertinas e Audácia! serão projetados em versão integral. Dos anos 1970, o destaque fica por conta de Corrida em busca do amor (1971), primeiro longa de Reichenbach, filme raro no qual o diretor presta homenagem a um dos mestres do cinema classe B americano, Roger Corman. Com espírito de chanchada, a produção retrabalha os clichês dos chamados “filmes de juventude” e será projetada em nova cópia 35mm. Clássicos da filmografia do realizador, como Lilian M: relatório confidencial (1975), Império do desejo (1980), Amor, palavra prostituta (1982), Filme demência (1985), e Anjos do arrabalde (1987) também integram a programação, ao lado de obras das décadas de 1990 e dos anos 2000 como Alma corsária (1993), Dois córregos (1999), Bens confiscados (2004) e Garotas do ABC (2004). Títulos menos exibidos da obra de Reichenbach, como Sede de amar (Capuzes negros) (1978), sucesso de bilheteria com o qual iniciou sua parceria com o ator Roberto Miranda, O paraíso proibido (1981), melodrama erótico pouco visto, mas no qual reverberam temas caros ao universo do cineasta, e Extremos do prazer (1983), drama psicológico que mistura com maestria sexo e política – ainda poderão ser vistos em novas cópias 35mm. Por fim, a homenagem ainda inclui uma sessão especial de Augustas (2012), longa de estreia de  Francisco César Filho, inédito no circuito comercial. Baseado no livro A estratégia de Lilith, de Alex Antunes, o filme narra a história de um jornalista, interpretado por Mário Bortolotto, que viaja pelos subterrâneos da metrópole, numa jornada que se assemelha à trajetória de Fausto, personagem de Filme demência. Os créditos iniciais de Augustas foram feitos a partir de imagens do curta Esta rua tão Augusta, de Reichenbach.
Marcada para o dia 22 de janeiro, a abertura da mostra traz verdadeiros tesouros – fragmentos inéditos dos dois primeiros curtas de Reichenbach, a ficção científica Duas cigarras (1965), e a homenagem deboche a Jean-Luc Godard, Pierrot si fou (1966), nunca finalizados. Os dois filmes foram encontrados pela família do cineasta, em seus arquivos pessoais, num rolo 16mm, que também contém registros domésticos e materiais não identificados até o momento. A abertura contará com a presença de amigos e profissionais que conviveram e trabalharam com Carlos Reichenbach em diversos momentos de sua trajetória.