por Natália Bridi – Omelete


O Batmóvel nasceu oficialmente em fevereiro de 1941, na Detective Comics #48. Foi quando o roteirista Bill Finger e o artista Bob Kane deram nome e personalidade ao carro que já acompanhava o herói desde sua primeira aparição. Curiosamente, o Bat-avião foi batizado antes do Batmóvel, sendo introduzido na Detective Comics #31.

Desde então, o veículo ganhou inúmeras formas, como vimos na primeira parte do Especial Batmóveis. Porém, se a lista de veículos do cinema é restrita, apesar de variada, a coleção de carros nas HQs é tão extensa quanto diversa. Nesta segunda parte do artigo, os Batmóveis nos quadrinhos:

Detective Comics #48

Batmovel Detective Comics 48

Apesar da aparência simples, o primeiro Batmóvel era potente, com um supermotor capaz atingir rapidamente altas velocidades, e resistente, com uma parte dianteira reforçada, capaz de derrubar portas e paredes sem sofrer danos. O carro foi desenhado tendo como base o Cord 812, primeiro carro norte-americano com tração dianteira e suspensão dianteira independente, transmissão semi-automática, faróis retrácteis e um elegante corpo rebaixado. O motor recuado significava um grande espaço entre a frente do carro e a frente do motor, daí a capacidade do carro de derrubar obstáculos sem modificar seus componentes mecânicos.

Batman #5 – Jerry Robinson

Batmovel  Batman 5

O Batmóvel foi evoluindo gradualmente, transformando-se em um “veículo de alta potência especialmente desenvolvido” por Bruce Wayne na Detective Comics #30 e ganhando seu primeiro design definitivo na Batman #5, pouco meses depois do seu nascimento oficial, ainda em 1941. Ao contrário do primeiro Batmóvel, baseado no Cord 812, o artista Jerry Robinson criou o novo carro do zero: apenas algumas partes do veículo lembravam os modelos da época. Combinação de velocidade, estilo e força bruta que continua a influenciar os designs do Batmóvel até hoje. Além do motor de alta performance e rápida aceleração, o carro ganhou janelas menores, um corpo blindado e pequeno Bat-ornamento do veículo foi transformado em um esporão em forma de cabeça de morcego. O preto assumiu o lugar do vermelho e uma barbatana no teto fazia as vezes de asas de morcego. O Batmóvel em questão também inaugurou a capacidade de regeneração do veículo (quando oportuno). Depois de terminar uma perseguição caindo de um penhasco na história “O Enigma do Carro Perdido”, o veículo ressurge intacto na mesma edição, na história “O Caso do Vigarista Honesto!”.

Batman #20 – Dick Sprang

Batmobile-Batman-20

A edição de dezembro de 1943/ janeiro de 1944 foi a primeira a trazer o Batmóvel na capa. Desenhado por Dick Sprang, o carro manteve o design de Jerry Robinson, adicionando apenas faróis visíveis e duas linhas vermelhas nas laterais.

Detective Comics #156

Batmovel Detective Comics 156

A edição de fevereiro de 1950 apresentou um novo Batmóvel. Quando o antigo carro é destruído em uma perseguição, Batman revela seus planos para um novo veículo, que seria “dez anos à frente de qualquer coisa sobre rodas“. Enquanto o formato do carro (principalmente a parte dianteira) lembrava um Studebaker, seu corpo era longo como Chrysler Imperial. Por dentro, um laboratório completo, com armário, balcão e um banquinho. Outros “acessórios” do carro incluíam um esporão cortante, para ultrapassar barreiras, um teto holofote que podia se transformar em Bat-sinal, propulsores de foguetes, televisão de bordo, telas de radar, entre outros.

Detective Comics #219

Batmovel Detective Comics 219

Para investigar a presença de diversos criminosos em uma convenção de carros antigos, Batman e Robin precisam abandonar a “modernidade” e substituem o Batmóvel por uma versão mais adequada. O carro, baseado em um Marmon de 1905, levava uma máscara na parte dianteira, insígnias nas portas e uma grande barbatana/asa de morcego na traseira.

Batman #164 – Neil Adams

Batmovel Neil Adams

Depois de ganhar um design na linha de carros esportivos no início dos anos 1960, o Batmóvel dos quadrinhos assumiu os traços do Lincoln Futura customizado por George Barris para a série de TV até o final da década. A nova mudança radical veio quando Neil Adams assumiu o personagem em 1970, adotando um estilo mais realista. O desenhista criou um poderoso e discreto cupê para levar Batman ao seu destino rapidamente. Apesar da aparência sóbria – a personalização do carro ficava apenas na discreta máscara de morcego sobre o capô -, o veículo tinha um poderoso motor, corpo blindado e sistema de direção remota.

O Cavaleiro das Trevas – Frank Miller

Batmovel Frank Millar

Os designs da década de 80 alternavam o realismo introduzido por Neil Adams e as formas futuristas do carro da série sessentista (revezamento que persiste até hoje). A grande mudança veio em 1986, com O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, que transformou o Batmóvel em um tanque de guerra. Além da sua capacidade ofensiva, como acessórios que incluíam uma metralhadora de armas de borracha e um canhão na parte dianteira, o Bat-Tanque também era equipado com uma estação médica completa. De acordo como o próprio Homem-Morcego, a única coisa que poderia atingir o veículo “não era deste planeta“. O Batmóvel de Frank Miller apareceria novamente em Grandes Astros: Batman & Robin, que mostrava robôs construindo o carro na Bat-Caverna.

A Piada Mortal – Brian Bolland

Batmovel A Piada Mortal

Para o Batmóvel da HQ escrita por Alan Moore, publicada em 1988, o artista Brian Bollanddecidiu prestar homenagem aos seus carros preferidos do morcego, usando em A Piada Mortalos para-lamas robustos da década de 40, a cobertura arredondada dos anos 1950 e a cabeça do morcego na parte dianteira introduzida por Jerry Robinson. O carrou apareceu novamente em “An Innocent Guy”, história desenhada por Bolland na antologia Batman: Preto e Branco. O mesmo Batmóvel também foi desenhado por outros artistas como Steve Lieber, na Detective Comics #685, de 1995, e Denys Cowan, na Batman Confidential #7, de 2007.

Batman: Preto e Branco – Katsuhiro Otomo

Batmovel Katsuhiro Otomo

A década de 90 foi marcada pelo experimentalismo, com diversos artistas brincando com o design do Batmóvel. O fenômeno pode ser visualizado, por exemplo, na antologia Batman: Preto e Branco, idealizada pelo editor da DC Mark Chiarello, em 1996. A ideia era chamar os melhores roteiristas e desenhistas para produzir uma coleção de contos, resultando em uma série de Batmóveis. Porém, o turbinado carro desenhado por Katsuhiro Otomo (o criador de Akira) é o único a entrar em ação, levando o Homem-Morcego ao cenário de uma grande explosão na estação de gás de Gotham City.

Batman e Robin

Batmovel Batman e Robin

Publicada pela primeira vez em 2009, Batman e Robin trazia grandes mudanças desde a sua primeira edição. Escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely, a primeira história apresentava um novo Batman, com Dick Grayson no lugar de Bruce Wayne, Damian como Robin, e uma Bat-Caverna urbana. Para completar, um Batmóvel completamente modificado. O veículo, projetado por Bruce Wayne, foi aperfeiçoado por Damian, que conseguiu colocar em prática a capacidade de voar do carro. Para ativar o modo voo, os para-lamas do carro se abrem para formar asas e a parte traseira se estica para formar estabilizadores verticais. O veículo também é capaz de flutuar, usar comandos de voz e é equipado com mísseis de alta precisão. O Batmóvel voador foi destruído na edição # 13 de Batman e Robin, mas foi reconstruído e apareceu novamente em Batman #1, edição dos Novos 52, em novembro de 2011.

 

Para conhecer mais acesse : http://omelete.uol.com.br/batman/quadrinhos/especial-batmoveis-parte-2/